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SUMMARY:I Seminário Mineiro por um Mundo sem Prisões em [ Auditorio A104
  do Cad 2]
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DESCRIPTION:O I Seminário Mineiro para um Mundo sem Prisões surge  em pa
 rceria entre a Universidade Federal de Juiz de Fora Campus Governador Vala
 dares (UFJF-GV) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)\, por meio
  dos grupos de pesquisa e extensão: Grupo Interdisciplinar de Pesquisas I
 nfantojuvenis (GIPI/UFJF-GV)\, Laboratório de Estudos sobre Trabalho\, C
 árcere e Direitos Humanos (LabTrab/UFMG)\, Grupo de Pesquisa Ciências Cr
 iminais e Economia Política (CCEP/UFJF-GV) e Núcleo Interdisciplinar Soc
 iedade e Encarceramento (Nise/UFJF-GV). \n\n\n\nNesta primeira edição\, 
 trazemos o seguinte tema: “A radicalidade abolicionista na universidade:
  agendas de pesquisa e intervenção”. \n\n\nEm um contexto de precariza
 ção generalizada dos diversos âmbitos da vida\, questionamos sobre as p
 ossibilidades de construção de um conhecimento científico que se ancore
  na perspectiva de transformação radical da realidade. Como indica Cáss
 io Hissa\, “a desmobilização política e criativa decorre\, em grande 
 medida\, da progressiva e potente inserção das práticas e das referênc
 ias de mercado nas estruturas sociais do mundo moderno e\, também\, nas e
 struturas acadêmicas”. Na “universidade-fábrica”\, o conhecimento 
 científico é fragmentado\, comprometido com a lógica da produtividade e
  da utilidade mercadológica. Nesse contexto\, o que reina é a exaustão 
 e o incentivo a práticas de ensino\, pesquisa e extensão que\, desespera
 nçosas quanto às possibilidades reais de mudanças no mundo\, se apressa
 m para dar respostas simples e fáceis. E\, mais do que mera consequência
  desses tempos\, a produção de conhecimento científico acaba por legiti
 mar a realidade desoladora em que vivemos.\n\n \n\nEnfim\, vivemos tempos 
 de crise que constituem a “tragédia cotidiana da vida no capitalismo”
 . E\, quando pensamos no contexto prisional\, essa tragédia parece se agr
 avar\, pois\, como diz Murilo Gaulês\, “as prisões são\, simultaneame
 nte\, síntese e hipérbole do capitalismo”. Nas prisões\, a barbárie 
 é explícita: superlotação\, práticas de tortura\, alimentação insuf
 iciente e estragada\, desproteção trabalhista\, falta de acesso a saúde
 \, educação e lazer. E os impactos das prisões transbordam as grades\, 
 alcançando diretamente os trabalhadores do sistema\, as famílias e os so
 breviventes do cárcere.\n\n\n\nParece senso comum que falar sobre prisõe
 s é\, ao mesmo tempo\, falar sobre propostas para resolver seus problemas
 . Nos últimos anos\, pesquisadores(as) e militantes antiprisionais têm s
 e voltado para o julgamento de uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF
 ) que considerou o sistema prisional brasileiro como Estado de Coisas Inco
 nstitucional. Com isso\, reconheceu um contexto de violações sistemátic
 as e generalizadas de direitos fundamentais. A partir disso\, determinou q
 ue fosse criado\, em nível nacional e estadual\, o Plano Pena Justa\, que
  teria como objetivo superar esse contexto. O Pena Justa\, então\, carreg
 a uma promessa tão antiga quanto atual\, qual seja a de resolver os probl
 emas prisionais.\n\n\n\nSão propostas que\, apesar da aparência resoluti
 va\, se ancoram em bases que se repetem. Ao não questionarem a própria e
 xistência e manutenção das prisões\, se esforçam em propor reformas q
 ue servem\, na melhor das hipóteses\, para manter as coisas como estão. 
 A situação das prisões é tão ruim que é difícil se colocar de forma
  crítica em relação a propostas - como aquelas trazidas no Plano Pena J
 usta - que anunciam saídas para a superação dos problemas. E a produç
 ão de conhecimento científico não escapa dessa armadilha.\n\n\n\nSão m
 uitas as pesquisas sobre prisões\, mas\, como comenta Andreia Beatriz\, a
 pesar das diversas e complexas as discussões sobre o cárcere\, elas “s
 equer discutem ou buscam compreender o efetivo papel que o encarceramento 
 tem na vida das pessoas”. A aceleração do tempo\, os sistemas de avali
 ação baseados em métricas de publicações e o contexto mais amplo de p
 recarização da vida impedem o surgimento e permanência da criatividade 
 no fazer cotidiano das universidades. No contexto do sistema prisional\, a
 s pesquisas\, sem poder se esquivar dos problemas estruturais das prisões
 \, se apressam em dar respostas simples\, visando à superação desses pr
 oblemas sem\, no entanto\, tocar em suas raízes. Sabemos que as condiçõ
 es de vida de forma ampla e das prisões de forma particular estão tão f
 ragilizadas que\, como afirma Jackie Wang\, “é mais fácil imaginar o f
 im do mundo do que um mundo sem prisões”. Assim\, a construção de ci
 ência sobre o cárcere tem ocorrido sob a perspectiva de uma “gestão d
 a barbárie”\, com suas propostas de reformas\, abandonando o compromiss
 o da ciência de compreender o mundo para transformá-lo.\n\n\n\nÉ nesse 
 sentido que\, buscando fugir das armadilhas reformistas\, entendemos que a
 s produções científicas no âmbito das prisões devem ter como diagnós
 tico o seu fim\, ancorado no abolicionismo penal. E\, como bem relembra Al
 ine Passos\, falamos no plural\, pois “são tantos e diversos que qualqu
 er definição sobre abolicionismo penal que se pretenda exclusiva e defin
 itiva\, certamente\, fracassará”. Além disso\, com Ruth Gilmore\, apos
 tamos em abolicionismos que não se restringem à ideia de fechamento dos 
 espaços físicos das prisões\, pois\, mais do que descobrir como elimin
 á-las\, podemos descobrir como trabalhar com as pessoas que constroem o d
 ia a dia guiando-se por um projeto de sociedade no qual a liberdade possa 
 ser realmente efetiva para todas as pessoas.  \n\n\n\nEntão\, com o objet
 ivo de promover um espaço de diálogo\, reflexão e articulação\, a UFM
 G e a UFJF-GV realizarão\, nos dias 8\, 9 e 10 de abril de 2026\, esta pr
 imeira edição do Seminário Mineiro para um Mundo sem Prisões. O encont
 ro buscará discutir e compartilhar experiências de produção científic
 a que mobilizem o abolicionismo penal em suas diversas abordagens. \n\n\n\
 nO Seminário contará com a presença de pesquisadores(as)\, extensionist
 as\, militantes\, trabalhadores(as)\, sobreviventes do cárcere e familiar
 es de pessoas presas que têm se dedicado a produzir uma ciência abolicio
 nista penal\, comprometida com uma crítica radical às prisões.\n\nEsta 
 primeira edição terá como centro das discussões o contexto de Minas Ge
 rais\, mas a participação e o envio de trabalhos de pessoas de outras re
 giões do país serão muito bem vindos!\n\n\n\nJosé Chasin certa vez afi
 rmou que “quando a esquerda não rasga horizontes\, nem infunde esperan
 ças\, a direita ocupa o espaço e draga as perspectivas: é então que a 
 barbárie se transforma em tragédia cotidiana”. Pegamos emprestado essa
  frase para afirmar que precisamos rasgar horizontes e infundir esperança
 s no que diz respeito ao sistema prisional e\, para isso\, não podemos de
 ixar o conhecimento reformista dragar nossas perspectivas de um futuro rad
 icalmente melhor. \n\n\n\nEsperamos vocês para podermos refletir sobre co
 mo as universidades podem contribuir na construção desse futuro radicalm
 ente melhor\, de um projeto de sociedade sem prisões.
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