BEGIN:VCALENDAR
VERSION:2.0
PRODID:-//Plone.org//NONSGML plone.app.event//EN
X-WR-TIMEZONE:America/Sao_Paulo
BEGIN:VEVENT
SUMMARY:I Seminário Mineiro por um Mundo sem Prisões em [ Auditorio A104
  do Cad 2]
DTSTART;TZID=America/Sao_Paulo;VALUE=DATE-TIME:20260408T170000
DTEND;TZID=America/Sao_Paulo;VALUE=DATE-TIME:20260409T210000
DTSTAMP;VALUE=DATE-TIME:20260418T154742Z
UID:40e64e88adbb406fb5a47cc0082d3e56@150.164.76.86:8080
CREATED;VALUE=DATE-TIME:20260223T232442Z
DESCRIPTION:O I Seminário Mineiro para um Mundo sem Prisões surge  em pa
 rceria entre a Universidade Federal de Juiz de Fora Campus Governador Vala
 dares (UFJF-GV) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)\, por meio
  dos grupos de pesquisa e extensão: Grupo Interdisciplinar de Pesquisas I
 nfantojuvenis (GIPI/UFJF-GV)\, Laboratório de Estudos sobre Trabalho\, C
 árcere e Direitos Humanos (LabTrab/UFMG)\, Grupo de Pesquisa Ciências Cr
 iminais e Economia Política (CCEP/UFJF-GV) e Núcleo Interdisciplinar Soc
 iedade e Encarceramento (Nise/UFJF-GV). \n\n\n\nNesta primeira edição\, 
 trazemos o seguinte tema: “A radicalidade abolicionista na universidade:
  agendas de pesquisa e intervenção”.\n\n\n\nEm um contexto de precariz
 ação generalizada dos diversos âmbitos da vida\, questionamos sobre as 
 possibilidades de construção de um conhecimento científico que se ancor
 e na perspectiva de transformação radical da realidade. Como indica Cás
 sio Hissa\, “a desmobilização política e criativa decorre\, em grande
  medida\, da progressiva e potente inserção das práticas e das referên
 cias de mercado nas estruturas sociais do mundo moderno e\, também\, nas 
 estruturas acadêmicas”. Na “universidade-fábrica”\, o conhecimento
  científico é fragmentado\, comprometido com a lógica da produtividade 
 e da utilidade mercadológica. Nesse contexto\, o que reina é a exaustão
  e o incentivo a práticas de ensino\, pesquisa e extensão que\, desesper
 ançosas quanto às possibilidades reais de mudanças no mundo\, se apress
 am para dar respostas simples e fáceis. E\, mais do que mera consequênci
 a desses tempos\, a produção de conhecimento científico acaba por legit
 imar a realidade desoladora em que vivemos.\n\n \n\nEnfim\, vivemos tempos
  de crise que constituem a “tragédia cotidiana da vida no capitalismo
 ”. E\, quando pensamos no contexto prisional\, essa tragédia parece se 
 agravar\, pois\, como diz Murilo Gaulês\, “as prisões são\, simultane
 amente\, síntese e hipérbole do capitalismo”. Nas prisões\, a barbár
 ie é explícita: superlotação\, práticas de tortura\, alimentação in
 suficiente e estragada\, desproteção trabalhista\, falta de acesso a sa
 úde\, educação e lazer. E os impactos das prisões transbordam as grade
 s\, alcançando diretamente os trabalhadores do sistema\, as famílias e o
 s sobreviventes do cárcere.\n\n\n\nParece senso comum que falar sobre pri
 sões é\, ao mesmo tempo\, falar sobre propostas para resolver seus probl
 emas. Nos últimos anos\, pesquisadores(as) e militantes antiprisionais t
 êm se voltado para o julgamento de uma ação no Supremo Tribunal Federal
  (STF) que considerou o sistema prisional brasileiro como Estado de Coisas
  Inconstitucional. Com isso\, reconheceu um contexto de violações sistem
 áticas e generalizadas de direitos fundamentais. A partir disso\, determi
 nou que fosse criado\, em nível nacional e estadual\, o Plano Pena Justa\
 , que teria como objetivo superar esse contexto. O Pena Justa\, então\, c
 arrega uma promessa tão antiga quanto atual\, qual seja a de resolver os 
 problemas prisionais.\n\n\n\nSão propostas que\, apesar da aparência res
 olutiva\, se ancoram em bases que se repetem. Ao não questionarem a próp
 ria existência e manutenção das prisões\, se esforçam em propor refor
 mas que servem\, na melhor das hipóteses\, para manter as coisas como est
 ão. A situação das prisões é tão ruim que é difícil se colocar de 
 forma crítica em relação a propostas - como aquelas trazidas no Plano P
 ena Justa - que anunciam saídas para a superação dos problemas. E a pro
 dução de conhecimento científico não escapa dessa armadilha.\n\n\n\nS
 ão muitas as pesquisas sobre prisões\, mas\, como comenta Andreia Beatri
 z\, apesar das diversas e complexas as discussões sobre o cárcere\, elas
  “sequer discutem ou buscam compreender o efetivo papel que o encarceram
 ento tem na vida das pessoas”. A aceleração do tempo\, os sistemas de 
 avaliação baseados em métricas de publicações e o contexto mais amplo
  de precarização da vida impedem o surgimento e permanência da criativi
 dade no fazer cotidiano das universidades. No contexto do sistema prisiona
 l\, as pesquisas\, sem poder se esquivar dos problemas estruturais das pri
 sões\, se apressam em dar respostas simples\, visando à superação dess
 es problemas sem\, no entanto\, tocar em suas raízes. Sabemos que as cond
 ições de vida de forma ampla e das prisões de forma particular estão t
 ão fragilizadas que\, como afirma Jackie Wang\, “é mais fácil imagina
 r o fim do mundo do que um mundo sem prisões”. Assim\, a construção d
 e ciência sobre o cárcere tem ocorrido sob a perspectiva de uma “gest
 ão da barbárie”\, com suas propostas de reformas\, abandonando o compr
 omisso da ciência de compreender o mundo para transformá-lo.\n\n\n\nÉ n
 esse sentido que\, buscando fugir das armadilhas reformistas\, entendemos 
 que as produções científicas no âmbito das prisões devem ter como dia
 gnóstico o seu fim\, ancorado no abolicionismo penal. E\, como bem relemb
 ra Aline Passos\, falamos no plural\, pois “são tantos e diversos que q
 ualquer definição sobre abolicionismo penal que se pretenda exclusiva e 
 definitiva\, certamente\, fracassará”. Além disso\, com Ruth Gilmore\,
  apostamos em abolicionismos que não se restringem à ideia de fechamento
  dos espaços físicos das prisões\, pois\, mais do que descobrir como el
 iminá-las\, podemos descobrir como trabalhar com as pessoas que constroem
  o dia a dia guiando-se por um projeto de sociedade no qual a liberdade po
 ssa ser realmente efetiva para todas as pessoas.  \n\n\n\nEntão\, com o o
 bjetivo de promover um espaço de diálogo\, reflexão e articulação\, a
  UFMG e a UFJF-GV realizarão\, nos dias 8\, 9 e 10 de abril de 2026\, est
 a primeira edição do Seminário Mineiro para um Mundo sem Prisões. O en
 contro buscará discutir e compartilhar experiências de produção cient
 ífica que mobilizem o abolicionismo penal em suas diversas abordagens. \n
 \n\n\nO Seminário contará com a presença de pesquisadores(as)\, extensi
 onistas\, militantes\, trabalhadores(as)\, sobreviventes do cárcere e fam
 iliares de pessoas presas que têm se dedicado a produzir uma ciência abo
 licionista penal\, comprometida com uma crítica radical às prisões.\n\n
 Esta primeira edição terá como centro das discussões o contexto de Min
 as Gerais\, mas a participação e o envio de trabalhos de pessoas de outr
 as regiões do país serão muito bem vindos!\n\n\n\nJosé Chasin certa ve
 z afirmou que “quando a esquerda não rasga horizontes\, nem infunde esp
 eranças\, a direita ocupa o espaço e draga as perspectivas: é então qu
 e a barbárie se transforma em tragédia cotidiana”. Pegamos emprestado 
 essa frase para afirmar que precisamos rasgar horizontes e infundir espera
 nças no que diz respeito ao sistema prisional e\, para isso\, não podemo
 s deixar o conhecimento reformista dragar nossas perspectivas de um futuro
  radicalmente melhor.
LAST-MODIFIED;VALUE=DATE-TIME:20260304T181758Z
URL:http://150.164.76.86:8080/cac/agenda/preagenda/6113092602137250160
END:VEVENT
BEGIN:VTIMEZONE
TZID:America/Sao_Paulo
X-LIC-LOCATION:America/Sao_Paulo
BEGIN:STANDARD
DTSTART;VALUE=DATE-TIME:20260221T230000
TZNAME:BRT
TZOFFSETFROM:-0200
TZOFFSETTO:-0300
END:STANDARD
END:VTIMEZONE
END:VCALENDAR
